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Você é ANTIRRACISTA?

Do movimento à prática.

A luta antirracista vem ganhando visibilidade nos últimos anos nas redes sociais e outros instrumentos midiáticos. Junto à essa exposição do tema, cresce também o movimento de pessoas dispostas a vestir a camisa para se promover ou inserir junto à temática, outras lutas que visam descentralizar o movimento antirracista.

Em tempos de exposição extrema do assunto, devemos nos manter atentas para que nossas forças não sejam utilizadas a fim dessa descentralização. Para isso, devemos estar informadas e entender a real necessidade de estarmos unidas buscando equidade para as nossas irmãs e irmãos, cotidianamente.

Em um mundo historicamente racista e escravocrata, não adianta pedir igualdade sabendo que partimos de posições e oportunidades diferentes. Seria como dar uma ordem a um recém-nascido e a mesma ordem a uma criança de 10 anos.

Falando em Brasil, vivemos mais tempo da história em escravidão do que em “liberdade”, foram mais de três séculos de servidão contra apenas 132 anos desde a abolição. Entende que nem todos estamos na mesma posição? Que ainda hoje vemos e vivemos uma disparidade socioeconômica, educativa, entre tantas outras, de um povo que é maioria em seu país? Vidas negras importam sim, A TODO MOMENTO.

Sabendo disso, parece óbvio os passos que devemos caminhar em busca de equidade entre nós. Ser antirracista não é um movimento de pretos contra branco. É sobre lutar contra uma cultura enraizada de subordinação de uma raça à outra.

VOCÊ É ANTIRRACISTA? Um exercício simples pode te dar a resposta: quantos perfis de pessoas pretos você segue? De quais pretos você compra? Quais tipos de artistas e intelectuais você consome? Você tem educado seus filhos sobre questões raciais? Essas são pequenas ações que tornam o mundo em que você vive menos racista todos os dias. Dar visibilidade ao preto também é um meio de inseri-lo nos debates da sociedade e evitar a segregação.

Não deveríamos precisar protestar pelas nossas vidas! E se uma pessoa branca não deseja viver a vida de uma pessoa preta é porque certamente há algo de errado. Você consegue entender a gravidade disso? Caso a resposta seja SIM, acredito que esteja mais próximo de tornar esse um debate verdadeiro na sua vida.

Converse com pessoas pretas, busque entender seus pontos de vista como atores principais do debate, compre de pretos, financie pretos, não exerça a branquitude savior (da figura de uma pessoa branca como salvadora de uma pessoa preta), não enxergue pretos como objeto sexual, não tolere racismo, seja crítico no seu falar e agir, racialize TUDO.

Devemos nos policiar para que o antirracismo não seja só um movimento acalorado pela atual crise racial que vivemos, onde a cor da pele ainda é uma sentença de morte, e sim, passe a ser um valor humano na prática.

Tomar ciência de que homens e mulheres pretas estão sendo arrancadas das suas próprias vidas e merecem muito mais que algo momentâneo, merecem respeito e ação. E sobretudo, lembrem-se que pessoas antirracistas não deveriam ELEGER políticos racistas.

E aí, mulher, você tem praticado ser antirracista?

– por Sany Santana

Sany é arquiteta e trabalha no Tribunal Regional Federal. Mãe de primeira viagem, ao longo dos anos vem acumulando experiência em maternidade e vivência consciente como uma mulher preta. Conheça mais sobre a autora desse texto: Instagram @sany_santanna

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