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Vamos falar sobre limites

A importância dos limites na construção das relações

Filhos, amores, família, trabalho… amamos ou deveríamos ter alguns motivos para amar todos eles. Associamos sentimentos a essas pessoas, em contrapartida tiramos dessa relação tudo que parece não ser passivo e acabamos esquecendo que tudo na vida precisa de um elemento de equilíbrio. Sem limites, relações abusivas se constroem, crianças perdem o parâmetro de como devem agir, a família passa a interferir mais do que é permitido tirando toda maturidade que deveríamos construir ao longo da vida. Ser uma mulher empoderada e dona de si requer identificar esses momentos, ser crítica nas suas ações mas nunca se colocar como segunda pessoa a ser consultadas diante das decisões que só cabe a nós tomar. Ser uma pessoa decidida pode, a princípio, nos fazer sentir egoísta ou fria, mas só parecer. Não há de mal e ter amor próprio e por isso se resguardar de relações tóxicas, e como citado, essas relações podem se desenvolver em varias partes da nossa vida, até mesmo no trabalho. Isso não é apenas sobre dar limites, é sobre ensinar a quem a amamos, respeitá-los e também trabalhar para o mesmo propósito, ou seja, trabalhar como nos relacionamos com os outros.

Os filhos talvez sejam aqueles que terão o maior benefício desse comportamento. Para uma criança, um “não” pode ser algo forte, mas podemos adaptar o que dizemos e a quem dizemos. Podemos tentar “hoje não podemos filha, por isso e por aquilo”, sempre lembrando à criança o porquê da negação. A cabeça das crianças é inteligente e simples. Um “não” sem aparente motivo pode ser combustível para mais problemas, mas um “não” justificado, não só é mais eficaz, como também é a forma educativa e respeitosa. Dar limites aos filhos os poupa de infâncias desastrosas, chiliques no mercado ou no shopping, além de já estar preparando essa pessoa para o mundo. Já imaginou que tipo de pessoas se tornam crianças sem limites? Portanto, nada de culpa! Quem ama dá limites.

A família é parte importante de nós, onde encontramos apoio, amor e cuidado, mas até os sentimentos mais puros, na medida errada, pode se prejudicial. Quem não conhece aquela pessoa, adulta, cheia de dificuldade em de dar sentido à própria vida, geralmente, chamada de “mimada”? De forma geral, todos passamos por essa fase, mas em alguns casos, quando a fase se torna o normal, é interessante buscar dentro de si o real problema. Procurar um profissional, alinhar os limites da nossa vida e nos perguntarmos o que ou quem realmente somos, sem a intromissão familiar ou de amigos, ou a vontade de agradar a todos. Os limites que impomos mostra para os outros como nós mesmo nos vemos. Reverbera positivamente em como lidamos com o mundo, retirando o peso de sempre precisar estar disposta a tudo.

Seja para evitar abusos, educar ou delimitar o que aceitamos na nossa vida, usar o limite como uma estratégia necessária, torna a nossa caminhada mais leve.

A intenção desse texto não é em impor regras de ação, mas sim explorar o assunto em algumas situações exemplo, mas convido a você que passe a perceber como essa atitude pode tornar a vida mais justa para você e para quem está ao seu redor.

– por Sany Santana

Sany é arquiteta e trabalha no Tribunal Regional Federal. Mãe de primeira viagem, ao longo dos anos vem acumulando experiência em maternidade e vivência consciente como uma mulher preta. Conheça mais sobre a autora desse texto: Instagram @sany_santanna

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