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Separei do pai do meu filho, e agora?

O casamento é uma condição pro exercício da maternidade?

Lendo o título do texto tu achou que eu tinha uma dica pra você que está se separando e está surtada com os dilemas que envolvem maternidade e casamento, né, minha filha?

Então, venho aqui te dar a resposta pra pergunta “Separei, e agora?”
E agora, mulher, é vida que segue.

Talvez seja duro ler isso agora em que você está passando por esse momento, mas é a verdade. Quando saímos de um relacionamento em que exercíamos não só o papel de mulher mas também o de mãe, tendemos a procurar em nós culpa que não temos, a querer curar rápido dores que levam tempo ou até mesmo achar que o erro está somente na nossa atitude. Olha, amiga, não tem nada de errado em você.

Já conversamos aqui que além de mãe você também é mulher e nessa história não existe um papel superior ao outro, pois o amor dado aos filhos e a você mesma não devem ter pesos diferentes. E mais vale uma mãe feliz do que uma mãe escrava de um relacionamento que faz mal, não é?

Não se prenda à falsa ideia de que filhos de pais juntos serão melhores do que os de pais separados, aliás, em alguns casos, a separação contribui em muito para que a atenção seja voltada para os filhos, antes negligenciados por alguma das partes.

Quantas vezes você não conheceu ou ouviu uma pessoa te falar que os pais só ficaram juntos por conta da instituição “família”, mesmo que nada mais desse certo, ou até mesmo um dia você não foi essa criança? Entenda que uma criança presenciar traições, mentiras e discussões dentro de um lar é muito pior do que ter pais separados, felizes e que se respeitam. E por falar em respeito, se os pais querem mesmo se preocupar com a saúde mental e emocional dessa criança, é essencial manter esse ambiente confortável, juntos ou não. Ter pais separados não é o fim do mundo, ter guerras entre os dois lados SIM.

Mas como tudo na vida não são só flores, mulher, fique atenta ao desenvolvimento dos seus filhos e na atitude do seu ex-parceiro(a) nessa fase. Parece coisa de outro mundo, mas a gente sabe que muitas coisas podem ocorrer nesse processo, assim como casos de alienação parental, que inclusive, é CRIME!

A alienação parental consiste quando um dos genitores da criança a estimula e manipula a ver de forma negativa ou nutrir sentimentos rejeição ou ódio pelo outro genitor, causando confusão mental, emocional e afastamento do mesmo. É como uma programação psicológica da criança que está envolvida nessa situação, o que afeta diretamente como ela se relaciona com essa mãe ou pai, além dos efeitos psicológicos a longo prazo.

Esse é só um dos exemplos do que pode acontecer, um que é mais comum do que a gente imagina.

Portanto, mais do que pensar sobre o fim do relacionamento, busque MATURIDADE nas atitudes afim de zelar pela saúde física e mental do seu filho.

Acho que até esse ponto do texto já ficou claro que tá tudo bem você querer se separar e não surtar por isso, não é?

Ter coragem pra carregar a responsabilidade de criar um filho sozinha não é fácil mesmo, mas pense que talvez hoje você se sinta melhor do que antes, e sendo assim, logo tudo isso vai ter valido a pena. Um dia as crianças crescem e viram adultos, esses adultos vão embora e quem resta são vocês, os pais. E quando restarem só vocês, ainda vão ter motivos pra continuar?
Não querendo destruir nenhum conto de fadas, mas esse é o mundo real e não uma história de princesas Disney. Entenda que você pode ter caído em relacionamentos abusivos, ter sofrido traições, ter sido tratada com desinteresse, mas que você tem opção de pular fora desse barco furado. Não precisamos mais suportar relacionamentos fracassados pela ideia da maternidade estar ligada diretamente ao casamento. A gente merece mais e hoje temos coragem para decidir sobre isso.

Seu desempenho como mãe não está lincado ao sucesso do matrimônio. Tenha medo não, nós somos gigantes e não merecemos nos contentar com pouco, seja lá qual for o motivo que um dia te fez achar que merecia.

Agora, mulher, é vida que segue!

– por Sany Santana

Sany é arquiteta e trabalha no Tribunal Regional Federal. Mãe de primeira viagem, ao longo dos anos vem acumulando experiência em maternidade e vivência consciente como uma mulher preta. Conheça mais sobre a autora desse texto: Instagram @sany_santanna

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