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A dor do coração partido

Quando um grande amor se vai

Dizem que a dor de cólica renal é uma das mais fortes que existem, outras não comparam nada à dor de um parto. Existe aquela dor de bater o dedinho do pé na quina de um móvel, é de chorar. Dores físicas. Mas, você já sentiu dor na alma? Sim… a dor de um coração partido não só existe como é cientificamente comprovada. O problema dessa dor é que muitas vezes ela demora para ter um fim, pois o amor está ali e falta que o outro faz, ou a decepção que causou afeta o seu coração de forma quase “mortal”. Essa dor não escolhe idade, classe social e nem é definida por auto estima. Ela simplesmente dói.

Sentimos essa dor quando perdemos alguém para a morte, sentimos também, quando perdemos para a vida. “Vai passar”, “você supera”, “ainda está nessa?”, são frases que retumbam em nossas mentes, quando tentamos explanar às pessoas, dividir nossa dor, tentar aliviar um pouco. As pessoas nem sempre estão em condições de ajudar, nem sempre podem nos dar a mão.

À medida que ficamos adultas e consequentemente bem resolvidas, nos permitimos aprender a respirar fundo e a “matar no peito” a vontade de gritar, de surtar, de chorar compulsivamente. Mas a idade e as experiências nos proporcionam também sabedoria. Já vivemos um tanto de coisas que nos permitem entender que logo ali, novas alegrias virão, novas portas se abrirão. Nos permite entender também, que seguir adiante quando se está com o coração partido, é trair a pessoa mais importante do mundo: você. Já dizia a música do Legião Urbana: “Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira.” Portanto, minha amiga, respeite a sua dor, viva ela. Não construa castelos de areia para fingir que está tudo bem. É normal não estar. Não use pessoas para sanar feridas mal curadas. Cure-se, procure buscar ajuda, procure se apaixonar novamente, dessa vez por si, para estar completo para novas histórias. E ainda, se perdeu alguém para a vida, e essa pessoa vale à pena, por quê não tentar consertar?

No Japão, existe uma técnica que se chama kitsungi. Os japoneses acreditam que quando quebram objetos únicos, as rachaduras são preenchidas com ouro. Restaurar é valorizar a história. Talvez seu coração quebrado precise disso. Dá tempo? Vale a pena? Vá em busca de cuidar dessa dor da forma mais preciosa possível. Só não existe solução para a morte, e essa dor sim, não conseguimos curar com nada. Só acalmar com o tempo.

– por Daniela do Carmo

Daniela é gaúcha de Santa Maria, formada em Pedagogia, Mestre em Ensino de Ciências e Matemática e Gestora em uma Escola Municipal de Educação Infantil. Apaixonada por pessoas e gatos, adora ler e conversar sobre relacionamentos, estética, maquiagem, comportamento humano e felino. Conheça mais sobre a autora desse texto no Instagram: @danidocarmoaa

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