EnglishItalianPortugueseSpanish

O machismo nas mulheres

Você conhece alguma mulher machista?

Todo mundo está cansado de saber o quanto, nós mulheres, lutamos contra o machismo. Todo santo dia, é um “macho escroto” pra gente confrontar.

É tão chato, desgastante e frustrante como, em pleno 2020, a gente ainda tenha que passar por situações como essa por conta de pessoas que se recusam a evoluir e respeitar o próximo. Mas se você já acha isso triste, saiba que pode ficar ainda pior. Tão péssimo quanto, ou pior do que quando é um homem, são as MULHERES MACHISTAS! Isso, sinceramente, é o que mais me incomoda.

Claro que eu também já fui bem machista. Claro que eu ainda tenho algumas atitudes, pensamentos e falas machistas, e talvez, nunca deixe totalmente de ter. O machismo “está em NÓS”, infiltrado por uma cultura antiga, opressora, e ainda, protegida. A sociedade é machista, logo, as pessoas que fazem parte dela, também são. Mas nós somos a soma de muita coisa, além do triste costume machista. Nós também somos inteligentes para: reconhecer, admitir, aprender, mudar e assim, evoluir.

Quando uma mulher mantém o “tal machismo oculto” nela, ela desqualifica a luta de todas as outras mulheres por respeito e igualdade À TODAS NÓS! (eu, você, e até mesmo, a “tal machista”).

Eu demorei muito para entender isso também. Já fui muito egoísta em dizer que “Eu luto por mim, porque só eu sei de mim.” E só depois de anos escutando, lendo, pesquisando, conversando, me questionando, etc, é que eu realmente entendi: Eu só sei de mim, porque alguma outra mulher, BEM ANTES, soube dela, lutou por ela e por MIM, para que eu hoje também pudesse fazer o mesmo.

Eu peço perdão em todo momento que eu lembro disso à todas as mulheres, por eu ter pensado dessa forma um dia. E agradeço pela paciência que muitas tiveram em me ensinar e pelo amor com o qual, me acolheram, quando eu finalmente ACORDEI!

Se você ainda for, como a Laís do passado, que jurava que cada um falava por si e ninguém podia ou devia falar por mim, REPENSE! Não é preciso que concorde comigo agora, mas eu preciso que você reveja seu conceito de luta por si.

Porque sim, somos indivíduos, mas vivemos em grupos. A menos que você seja aquela mina “alecrim dourado“ (risos), você acha mesmo que a sociedade cruel, que não dá a mínima pra luta em massa, vai dar atenção pra sua luta individual? Quando você grita por respeito, só escutam (quando não ignoram) porque muitas, tantas outras mulheres, ecoam o mesmo pedido.

JUNTAS SOMOS SEMPRE MAIS FORTES!

E pra estar junto, não precisa ser/pensar igual. Precisamos, apenas, desejar o mesmo: RESPEITO

Respeito, para você ser do seu e eu ser do meu jeito! Independente de qual seja. A liberdade que buscamos não é para determinar a forma correta de ser, mas é para que possamos ser, nós mesmas.

Quando uma mulher mantém o machismo dentro de si, é como se ela falasse ao mundo: “Não precisa mudar, porque eu mesma, não vou”. E ai moça, quando você se sentir coagida, julgada, descartada, ignorada, ou algo pior, você devia se calar. Porque você, com sua omissão, está alimentando essa atitude horrível da humanidade com a gente.

Justificar o machismo como “criação”, é vergonhoso. A mesma sociedade que te ensinou a ser machista, te ensinou a ser racista, homofóbica, e todos os outros preconceitos e formas de desrespeito, que somos forçados a conviver no dia a dia. Deveríamos então justificar tudo como “criação” também? E só porque fomos criados dessa forma, continuaremos assim?

Mulheres, TODAS (não importa o que você faz e como leva sua vida), se você é/ou se sente mulher, essa luta É SUA TAMBÉM! E em uma guerra mundial, não dá pra ganhar lutando de forma individual

Não somos perfeitas como nos cobram ser, mas nós deveríamos nos cobrar sobre sermos menos machistas. Como? Não brigando entre nós, lutando por todas nós e corrigindo qualquer ser (homem ou mulher) que ferir, qualquer uma de nós.

Você pode não achar a causa da outra tão relevante quanto ela acha, mas se isso incomoda e fere uma mulher, nós deveríamos ser as primeiras a ajudá-la nessa luta, e não massacrá-la mais. Viemos sim de uma cultura machista, mas não precisamos mais compactuar com isso e muito menos, repassar para a próxima geração.

Se você é daquelas mulheres que só sabem falar “Ai mas não adianta, isso não vai mudar, sempre foi e assim sempre será”. Primeiro, devo dizer que lamento por você ser tão pessimista assim, COM VOCÊ! Porque só não é capaz de colaborar com a mudança alheia, aquela que não é capaz de mudar a si mesma.

E veja bem, quando falo de independência, eu falo de direito de escolha. Você pode querer ser diferente de mim, por exemplo. Tudo bem, desde que você QUEIRA, e não que você TENHA QUE. Entende a diferença? A luta é pelo poder de ESCOLHA X OBRIGAÇÃO. E para que você TENHA seu direito de ser o que você quiser, eu preciso ter o mesmo direito, caso contrário, é IMPOSIÇÃO e não opção.

NENHUMA MULHER VAI TER VOZ, ENQUANTO AINDA ACEITAR QUE ELES CALEM QUALQUER UMA DE NÓS!

Mulheres, a liberdade também é nosso direito, mas para conseguirmos, precisamos nos unir primeiro!

— por Laís Galhardi.

Laís é brasileira, jornalista, solteira e mora há mais de 10 anos na Europa. Super sincera e empoderada, gosta de deixar a alma se expressar. Conheça mais sobre a autora desse texto: Instagram @dojeitodelaah

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin