EnglishItalianPortugueseSpanish

Masturbação Feminina

É importante naturalizar a masturbação feminina, falar sobre ela e praticá-la.

Hoje vamos falar sobre como o seu corpo pode lhe proporcionar sensações maravilhosas, sem que você dependa de outra pessoa para isso. A masturbação é o nosso primeiro meio de autoconhecimento em relação a nossa sexualidade. É um encontro de nós com nós mesmas onde podemos descobrir com segurança o que nos proporciona prazer. A masturbação é uma ferramenta de auto conexão que nos ensina sobre desejo, tesão e também sobre limites.

Infelizmente a masturbação feminina ainda é um tabu para muitas mulheres. Fomos socializadas de forma muito repressora em relação a nossa sexualidade. A pesquisa Mosaico 2.0, conduzida pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, mostrou que 40% das mulheres brasileiras não se masturbam. Desde muito novas aprendemos a esconder, a não tocar, a não mexer, a não falar e a não fazer. Como consequência disso, muitas mulheres crescem sentindo que não devem, e nem podem, explorar o seu próprio prazer sozinhas. E algumas, mesmo quando ousam fazer isso, se sentem culpadas por fazer. É como se o nosso prazer não nos pertencesse, mas ele pertence e tomar consciência disso pode ser algo muito potente. A sociedade naturaliza o orgasmo cis* masculino ao mesmo tempo em que reprime o orgasmo feminimo e isso é algo estrutural. Se nos atentarmos, podemos perceber que os filmes, as músicas e até os livros constantemente exaltam o prazer cis* masculino. Homens cis* são desde crianças estimulados a explorarem o seu corpo, e nós já crescemos sabendo que, e como, os homens cis* gozam. Já em relação às mulheres o cenário é bem diferente, poucas vezes ouvimos ao longo da nossa vida sobre o prazer, a libido e o orgasmo feminino, e quando ouvimos ele é mostrado como algo difícil de ser alcançado, sendo que provavelmente se fossemos estimuladas a nos explorarmos com toda a naturalidade em que os homens cis* são, provavelmente o orgasmo feminino não seria algo tão desafiador de se alcançar.

Por esse motivo o assunto se faz tão necessário. Para transformar esse cenário é importante naturalizar a masturbação feminina, falar sobre ela e praticá-la. A auto exploração sexual pode ser deliciosa e transformadora. Investigar a nossa libido nos conecta com nossos desejos. Descobrir os nossos gatilhos de tesão e prazer sexual pode ser muito empoderador, porque ao descobri-los entendemos que somos capazes de nos proporcionar prazer, de gozar sozinhas, além de compreender o que não gostamos e não queremos que o outro faça com a gente. Conheço muitas mulheres que se questionavam se eram capazes de gozar, tanto sozinha quanto com outra pessoa. A masturbação nos dá referência e é uma referência segura, pois é apenas a gente com a gente mesma. Quando criamos autonomia em relação ao nosso prazer, descobrimos as nossas capacidades, entendemos as nossas vontades, as nossas necessidades, os nossos limites e conseguimos nos proporcionar prazer. Como consequência desse processo de autoconhecimento, a experiência sexual com outra pessoa pode se tornar muito mais gostosa e segura, pois não ficamos totalmente à mercê do outro.

Sentir prazer sexual também ativa hormônios como dopamina, serotonina e endorfina, que são os hormônios do bem estar, então além de todos os benefícios emocionais da masturbação, também temos benefícios bioquímicos dela. Minha sugestão de hoje não poderia ser outra: se toque, se explore, se masturbe. Seja com a mão, com vibradores ou com chuveirinho, tudo que for da sua vontade é válido nesse momento. É interessante não colocar o orgasmo como uma meta, pois isso pode gerar ansiedade e atrapalhar o seu processo. Se toque com o intuito de entender o seu próprio prazer. Conhecer profundamente o nosso corpo é uma parte importante do processo de autoconhecimento.

*Cisgênero (Cis) é o termo utilizado para se referir ao indivíduo que se identifica, em todos os aspectos, com o gênero que lhe foi atribuído no nascimento. No âmbito dos estudos relacionados ao gênero humano, o cisgênero é a oposição do transgênero, pois este último se identifica com um gênero diferente daquele que lhe foi atribuído no nascimento.

_ por Jana Torres

Jana é atriz, amante da arte e da cultura, pós-graduanda em sexualidade humana e acredita no poder transformador e político da sexualidade. Está sempre em busca de catarses diárias, adora viagens, tatuagens, chocolates, vinhos, chás e liberdade. Conheça mais sobre a autora desse texto no instagram:@janatorres

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin