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Dia 08 de março – Origem e História

A lição que veio de um incêndio

Como vocês sabem sou professora de línguas. Ensino português e inglês para turmas do 6º ao 9º ano. Trabalho com pré-adolescentes e considero de extrema importância que eles saibam sobre as datas comemorativas de nosso país e do mundo, faz parte da bagagem cultural de uma sociedade e ajuda a criar cultura de identidade. Sempre quando chega o início do mês de março faço uma ponte com as aulas de história para poder falar sobre a importância do dia 8 de março e da valorização da luta feminista nos setores sociais, políticos e econômicos. Só tem uma coisinha que sempre me incomodou muito nesse dia, a nomenclatura de comemoração. E para tentar me explicar vamos ter um pouco de aula de história agora. Vamos lá que já vai tocar o sinal!

Caso você não lembre: o dia 8 de março foi instituído como o Dia Internacional da Mulher no ano de 1975, pela ONU, em memória aos movimentos feministas que ocorreram entre os anos de 1908 e 1919. Como um dos movimentos mais conhecidos desta época está uma marcha com cerca de 90 mil mulheres russas, que ocorreu no dia 8 de março de 1917, e a greve de mulheres que trabalhavam na fábrica “Triangle Shirtwaist Company”, em Nova York, que terminou com um grande incêndio que matou 146 funcionários desta empresa, no ano de 1911. Os dois movimentos tinham como principal luta o direito a um trabalho decente para as mulheres, tanto em condições como em questão salarial, e maior visibilidade às questões dos direitos igualitários para as mulheres. O reconhecimento da luta dessas mulheres e de seu sacrifício deu origem a alguns dos direitos que temos hoje e ao dia das mulheres. E levou a várias outras lutas que foram travadas por mulheres ao passar dos anos.

E aí está o meu desconforto com a palavra “celebrar”. Não creio que seja apenas um dia de festa, mas sim de reflexão, de luta, de reconhecimento. Por muito tempo a mulher foi vista como um ser subalterno e para alcançarmos os direitos e liberdades que nossa geração tem hoje, foi necessária muita luta por parte de nossas ancestrais. Teve briga, muita luta e sangue derramado. E como valorizamos isso hoje em dia? Como demonstramos nosso agradecimento por tudo que elas alcançaram?

Hoje é um dia para olharmos com muito orgulho para nosso passado e reconhecer que a luta não foi em vão. Olhe para você hoje e reconheça que você é o resultado de todas aquelas vozes que reivindicaram por igualdade, de todas aquelas mãos unidas que brigaram pelo reconhecimento do valor da mulher na sociedade, de todos os quilômetros percorridos para reconhecer que as mulheres estão em todos os lugares construindo nossas cidades com o poder de suas mãos, de seus ventres, de sua sensibilidade. Temos hoje a liberdade de escolha sobre nossas vidas, direitos garantidos e possibilidades infinitas. Claro que ainda temos muito pelo o que lutar, como o fim do feminicídio e do preconceito de gênero, mas a luta delas tornou nossa vida um pouco menos sofrida. Precisamos agradecer e muito por tudo que elas fizeram.

E precisamos refletir sobre qual é o papel de nossa geração nessa luta. Está na hora de brigarmos pelo direito de sermos mulheres, sem os pesares sociais que são impostos a nós. Sem aquela ideia de que temos que ser como homens para ter nossos direitos atendidos ou negando nossa verdadeira essência para atender o que esperam de uma mulher. Abraçando a nossa feminilidade e a beleza do poder feminino. Hoje é dia de valorizar todas as suas conquistas profissionais, pessoais e financeiras e honrar o poder que lhe foi dado. Ser mulher é sim maravilhoso e vai além do que sempre nos ensinaram. Precisamos reconhecer o quão libertador e empoderado é ser mulher em toda sua essência, para que as futuras gerações não cresçam com aquela velha crença que “o homem pode tudo”. Está na hora de ser feminina, sensível, sedutora, cíclica e emocional. Está na hora de ser mulher!

Desperte, pois o sinal já tocou.

Um lindo dia das mulheres para todas nós!

_ por Carolina Dias

Carolina é mulher, negra, professora de línguas da rede municipal de SP, casada, estudiosa e curiosa. Acredita na força interior do autoconhecimento e do autorreconhecimento. Conheça mais sobre o perfil da autora desse texto no Instagram:@kroljuliana

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