EnglishItalianPortugueseSpanish

Conhecendo o BDSM

Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo

Você provavelmente já ouviu falar em algum momento sobre BDSM, mas você sabe o que essa sigla realmente significa? BDSM significa “Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo”. O termo refere-se a relações, sejam elas sexuais ou não, baseadas na relação entre o poder e o prazer, explorando a dominação, a submissão e até a dor. É uma prática que primordialmente exige respeito e consentimento de quem está envolvido nela. Ao contrário do que o senso comum imagina, o BDSM não é uma prática voltada diretamente ao sexo, mas sim ao fetiche e ao erotismo, sendo assim ela pode ser considerada uma prática erótica e nem sempre sexual, pois dentro dela pode, ou não, acontecer o sexo (isso vai depender do fetiche dos envolvidos).

Acho de extrema importância começar a falar desse assunto abordando a diferença entre BDSM e violência, pois muitas vezes o sentido da prática pode ser distorcido e visto como violência, o que não é o caso. Acredito que a principal diferença entre eles é que a violência não é desejada, ela é imposta. Inúmeras vezes não existe o consentimento, normalmente envolve abuso físico e psicológico gerando temor no parceire, é uma prática que infringe sofrimento emocional e físico ao geralmente possuindo um ciclo repetitivo, que é conhecido como: o ciclo do abuso (construção da tensão, violência aguda, reconciliação/lua de mel, calmaria). Já no BDSM o primeiro ponto para que ele ocorra é o consentimento. Na prática todos os envolvidos gostam, querem e sentem prazer em estar naquela situação. Também existem acordos entre os praticantes, negociações do que pode, ou não, ser feito, limites muito bem estabelecidos entre os envolvidos, palavras de segurança acordadas antes da vivência, relação de confiança com quem se pratica e feedbacks após a prática em que ocorrem checagens para aprofundar sobre como todos se sentiram no momento.

É comum no BDSM que na relação haja sempre um dominador e um submisso. Vale lembrar que isso não tem nada a ver com papéis de gênero, e sim com a preferência erótica de cada pessoa dentro desse fetiche. Na prática, o submisso deve obedecer ao que o dominador diz, mas não é porque alguém gosta de ser submisso às vezes que sempre será. Muitas pessoas gostam de ambos os lados e são chamados de “switches” dentro desse universo. Dentro da vivência BDSM também existem muitos acessórios que podem, ou não, ser utilizados na experiência, como: chicotes, cordas, algemas, vendas, coleiras, enforcadores, palmatórias e etc. Além de roupas e fantasias que ajudam a criar a atmosfera. Também existe diferença entre ser BDSM, ou seja, fazer disso um estilo de vida e uma representação identitária sua, de praticar BDSM. Quem se considera como alguém BDSM, e faz da prática seu estilo de vida, normalmente enxerga o BDSM como um aspecto central da sua identidade, costuma ter as práticas mais presentes no seu cotidiano, e nas suas relações, e estuda muito sobre o assunto. Já quem pratica o BDSM descompromissadamente, geralmente usa o fetiche como um complemento à sua vida sexual, ou seja, a presença da prática tende a variar nas relações. É quase como se os praticantes fizessem do BDSM uma forma de lazer, o que de nenhuma forma significa que as regras, acordos, determinações, consentimento e cuidados percam a sua importância na experiência.

O universo BDSM é muito vasto e vale muito a pena conhecê-lo para além dos estereótipos do senso comum. No próximo texto vou aprofundar mais sobre a prática em si, suas possibilidades e os tipos mais comuns de BDSM. Exercer papéis durante uma experiência sexual pode ser muito interessante e amplificador de libido, já pensou em experimentar? Essa é minha dica de hoje, fantasie e descubra quais papéis dentro dessa dinâmica podem te provocar desejo e tesão.

– por Jana Torres

Jana é atriz, amante da arte e da cultura, pós-graduanda em sexualidade humana e acredita no poder transformador e político da sexualidade. Está sempre em busca de catarses diárias, adora viagens, tatuagens, chocolates, vinhos, chás e liberdade. Conheça mais sobre a autora desse texto no instagram:@janatorres

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin