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Casamento, sexualidade e identidade na 3ª idade.

Reflexões importantes sobre envelhecimento

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), terceira idade é a pessoa com 60 anos ou mais.

Atenção as questões relacionadas a velhice têm sido evidenciadas nos últimos anos, o Brasil conta com mais de 12 milhões de pessoas idosas conforme pesquisas realizadas pelo IBGE.

Alguns estudos apontam que as taxas de mortalidade nessa fase variam de acordo com o estado civil, os casados apresentam taxas menores de mortalidade do que viúvos ou divorciados.

Estar casado com alguém por 50 anos ou mais, pode ser algo maravilhoso. Os principais acontecimentos da vida, fazem parte do casal que permanece juntos por esse tempo: Início das vidas profissionais, aquisição de sonhos, aumentar a família, se assim desejarem, acompanharem o desenvolvimento e crescimento dos filhos e netos e ainda assim conseguir vencer os obstáculos, doenças e dissabores que a vida também oferece. Manter um casamento dá trabalho, mas deve ser incrível a sensação de olhar para trás e ver todo o caminho trilhado junto ao seu par.
Sabemos que o envelhecimento ocasiona a diminuição da potência sexual, produzindo uma lentificação da ereção e da ejaculação no homem. Já a mulher, com a corrente percepção de que o climatério-menopausa é uma doença, traz consigo um mal-estar. Fisiologicamente o que acontece na velhice é um ressecamento vaginal, mas não o desaparecimento do desejo. Sexualidade, por sua vez, é uma função do ser humano que está sempre presente. A pessoa não passa a ser assexuado por ser idosa.

Sexualidade pode ser interpretada também como uma linguagem, uma forma de comunicação, de sintonia, relacionada não somente como desejo, mas também com amor, com a ternura e com os afetos. Logicamente não podemos pensar na velhice e comparar com um modelo de juventude, é necessário compreender essa etapa de uma outra maneira, considerando suas particularidades, específicas e possibilidades.

A sexualidade deve e pode manter-se na velhice. Muitas vezes o que vemos é uma sociedade tentando impregnar valores distorcidos para a velhice, em que a pessoa velha passa a ser responsabilizada se não tentar manter padrões de jovialidade: a mídia social a todo tempo nos impõe que devemos usar cremes rejuvenescedores, realizar cirurgias estéticas para apresentarmos menos idade, tingir os cabelos, acompanhar os avanços tecnológicos… E como fica a questão do respeito à identidade do indivíduo? Os velhos precisam negar sua velhice e correr atrás de uma juventude que não faz mais parte da sua vida? O que temos visto nos dias atuais é uma grande influência cultural na identidade dos idosos.

A sociedade faz todo um ritual para a chegada de um bebê, chá de fraldas, preparação e decoração do quarto, adequação da casa, aniversários lindos e temáticos…Mas ninguém se prepara para quando um membro da família fica idoso. Por que somos tão egoístas? Os idosos acabam sendo deixados de lado como escanteio e tratados muitas vezes como inúteis. Os parentes não percebem que são os responsáveis por esse familiar. Não sabem que têm a obrigação de preservar os direitos fundamentais dessa pessoa cuida-la e amá-la para que possam se despedir da vida de forma tranquila e digna.

A problemática em questão atinge proporções maiores ainda, mas vou finalizar com a seguinte frase:
Ser velho é ser lindo, seja você a qualquer tempo, a autenticidade ainda é uma das belezas mais sinceras.

– por Raquel Vasconcelos

Raquel é Pedagoga, especialista em Psicopedagogia e Gestão Educacional, além disso, Mestre em Ciências e Matemática. Conheça mais sobre a autora desse texto: Instagram: @raka.rmsv

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