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Autocuidado não é “recompensar-se”

Autocuidado é autorresponsabilização

Com o advento e a propagação dos diversos tipos de doenças crônicas e transtornos psicológicos nas ultimas décadas, bem como de algumas de suas causas, o incentivo a práticas de saúde e cuidado foram se tornando cada vez mais incentivados e populares, de forma que é pauta constante associá-lo a saúde mental e física.

É muito frequente encontrar em propagandas de xampu, academias, consultórios de diversos segmentos da estética e da saúde alguma referencia ou menção ao “ame-se, cuide de você”.

Por definição, a palavra “cuidado” possui diversos usos e sentidos. Em todos os casos, indica: dispensar atenção ou zelo especial a algo ou alguém; se responsabilizar; submeter algo a rigorosa análise de pensamento.

No entanto, a palavra tem sido repetida tantas vezes desconectada de seu real intuito, que é preciso lembrar o que é, afinal de contas cuidar de si, ou, autocuidado.

Se nos atemos as propagandas e ao que circula nos banners do Instagram, Facebook e outras mídias, tomamos mui equivocadamente o cuidar de si como um “recompensar-se” depois de um dia difícil de trabalho, oferecendo a nós mesmos deleites como chocolates, banho quente e vinho.

Ou o associarmos exclusivamente a uma rotina de pele (a famosa skincare), cabelo, estar com as unhas feitas… (ideias que se fixam através de um enorme apelo ao consumo, onde se corre o risco de confundir cuidado genuíno com o prazer que é produzido pelo ato de comprar!)

Autocuidado não se resume a prazer ou recompensas.

A verdade dói e aí vai ela: autocuidado tem a ver com autorresponsabilização, na medida em que se dá atenção devida a si próprio.

Isso por vezes, aponta para identificar qual sua real necessidade.

Pode ser que sua real necessidade tenha a ver com prazer e, se for, não se prive dele! Mas pode ser que esteja tamponando uma verdade difícil de admitir. (Já pensou sobre isso?)

Definitivamente, autocuidado não é complacência e tampouco se aproxima do desprezo de si. Trata-se de entender o que é verdadeiramente necessário e, se possível, fazê-lo.

Trata-se de olhar além do raso de nós mesmos, olhar com franqueza.

E isso se torna possível – e prazeroso – quando ousamos nos (re)conhecer.

– por Júlia Rodrigues dos Santos

Júlia é psicóloga, pós-graduanda em psicanálise clinica e especialista em história da Arte. É fã de praias, museus, cafeterias, artes e cultura. Adora viajar, conhecer pessoas. Conheça mais sobre o perfil da autora desse texto no Instagram: @j.udrs

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