EnglishItalianPortugueseSpanish

Quem é o meu eu sexual?

A sexualidade como ferramenta de autoconhecimento

Quando você ouve a palavra sexo, quais são os primeiros pensamentos que aparecem na sua mente?

Muitas vezes, ao pensarmos em sexo, temos a tendência a imaginar alguma situação que envolva a nós mesmos e mais uma pessoa, no mínimo. Não nos atentamos ao fato de que a sexualidade, primordialmente, é uma questão individual. Antes de nos relacionarmos sexualmente com o outro, nos relacionamos sexualmente com nós mesmas. A nossa sexualidade é o que temos de mais íntimo, é a materialização, em forma de desejo, da união de situações que experienciamos ao longo de toda a nossa vida e é uma parte muito significativa da nossa personalidade. A forma como nos expressamos sexualmente, diz muito sobre quem somos, sobre o que sentimos, sobre do que somos constituídos, sobre como, e por que, agimos como agimos.

Quanto mais nos dedicamos a conhecer, e entender, a nossa sexualidade, mais estamos entrando em contato com nós mesmas. A libido humana, se bem explorada, pode ser uma ótima ferramenta de autoconhecimento e autodescoberta. Possuímos inúmeras camadas que nos compõem enquanto seres humanos, e explorar essas inquietações vasculhando a natureza do nosso corpo é, de alguma forma, nos conectar com a nossa essência.

O sexo, principalmente o feminino, foi extremamente reprimido ao longo dos anos. Temos uma herança cultural judaico-cristã e vivemos em uma sociedade patriarcal, fatores que contribuem fortemente para uma visão mais conservadora dessa temática. Essa repressão, por mais que não tenhamos consciência, permeia o nosso inconsciente coletivo e, muitas vezes, interfere de forma negativa na forma como nos relacionamos com os nossos corpos, com os nossos desejos, com nossos instintos e com a nossa libido.

A libertação sexual interna é um processo constante que vai se construindo conforme vamos nos autoconhecendo e nos auto investigando. Descobrir nossos mistérios é uma delícia e eu sugiro alguns exercícios maravilhosos para você começar. Primeiro feche os olhos e se pergunte: “O que eu sinto em relação ao sexo?”, “Quem é o meu eu sexual?”, “Quais são minhas maiores vontades sexuais não realizadas?”. É interessante tentar evitar qualquer tipo de auto julgamento nesse momento. Após esse primeiro exercício, eu sugiro que você se explore fisicamente com o tato, relaxe se tocando despretensiosamente, explorando cada parte do seu corpo, respirando fundo e percebendo detalhadamente onde, e como, você gosta de ser tocada. E por último sugiro você pegar um espelho e se explorar visualmente, ver com seus próprios olhos toda a potência do seu corpo físico. O autoconhecimento é empoderador.

Ter autonomia sobre a nossa sexualidade e sobre o nosso prazer é algo muito potente.

_ por Jana Torres

Jana é atriz, amante da arte e da cultura, pós-graduada em sexualidade humana e acredita no poder transformador e político da sexualidade. Está sempre em busca de catarses diárias, adora viagens, tatuagens, chocolates, vinhos, chás e liberdade. Conheça mais sobre a autora desse texto no instagram:@janatorres

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin